Água
|América do Sul

[FÓRUM MUNDIAL DA ÁGUA] O mundo da água deve irrigar outros debates

por Jean-Louis Chaussade, Diretor Geral da SUEZ

A água fala para água no Fórum Mundial em Brasília, de 18 a 23 de março. Desde 1997 os atores do setor se reúnem a cada três anos para compartilhar desafios e soluções. De Marrakech à Brasília, criou-se uma comunidade internacional de profissionais dos mais diversos segmentos unidos por um vínculo tão vital que é a água. Estes atores historicamente engajados na gestão racional deste Bem Comum têm se esforçado para se fazer ouvir. A despeito da relevância desta questão e de sua urgência. 

O ano de 2018 tem sido de grande importância para a água na agenda internacional. O Fórum Político de Alto Nível Sobre Desenvolvimento Sustentável que se realizará no mês de julho em Nova York será dedicado ao Objetivo 6, ou seja, o acesso à água e ao saneamento básico. Uma estimativa: 663 milhões de pessoas não têm acesso garantido à uma fonte confiável de água potável e mais que 2.5 bilhões ainda não têm acesso a qualquer sistema de saneamento básico. 

Importa, contudo, referir que o Objetivo 6 este diretamente relacionado a outros objetivos, tais como a saúde, educação, igualdade entre homens e mulheres, sustentabilidade urbana, de modo que ele só será atingido junto a estas outras demandas igualmente importantes. A água está em toda parte. Na alimentação, na energia, na saúde. Ela é, ao mesmo tempo, vítima e perpetradora das alterações climáticas, à medida o planeta se aquece, ela inunda ou desaparece, tal como ocorre atualmente na Cidade do Cabo, África do Sul. Embora a crise hídrica tenha se agravado, ela ainda constitui uma pauta tímida nas negociações climáticas internacionais. 

Agir para manter a poluição em terra

 

Como outros temas, o tema dos oceanos, por exemplo, que representam mais de 70% da superfície do planeta, ainda é pouco tratado no cenário internacional. Atuando como os primeiros reguladores do clima, os oceanos são o vertedouro para toda a poluição terrestre, portanto é urgente a adoção de medidas na Terra para mitigar a poluição, sobretudo a do plástico no mar. O Grupo SUEZ adotou uma série de medidas para reduzir a poluição do plástico no mar. Em junho de 2017, na ocasião do Dia Mundial dos Oceanos, a SUEZ organizou mais de 40 coletas de resíduos no mundo todo, recoletando mais de 12 toneladas de dejetos que foram encaminhados às filiais do Grupo para se tratar e valorizar. 

Melhorar a governança da água em todas as escalas

 

O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 é provavelmente um dos mais difíceis de ser atingido: a maior porção de área dos mares e oceanos não está sob responsabilidade de nenhum órgão ou Estado. 

Outro tópico de extrema importância é o aperfeiçoamento da gestão hídrica em todas as escalas. Um estudo da OCDE, apresentado no último Fórum Mundial da Água em 2015 na Coreia do Sul, mostrou que os agentes da água tinham uma sólida e ampla experiência em diálogo e coordenação. No entanto isto ocorre apenas entre pares. Tal constatação reforçou a motivação de mais de 150 organizações membros da Inicitiva da OCDE para a gestão e gobernanza da água. Oriundos dos setores público, privado e acadêmico, estes agentes desenvolveram um conjunto de 12 princípios diretores adotados em 2015 pelo Conselho de Ministros da OCDE. Sob o respaldo de um comitê diretivo, do qual a SUEZ faz parte desde 2012, a Iniciativa desenvolveu e testou uma série de indicadores responsáveis por medir a maturidade da gobernanza hídrica que serão apresentados em Brasília. 


Passar de advocacia para ação compartilhada

 

Porém estas iniciativas devem ser levadas além da Brasília. Em Nova York em julho, e na Polônia em novembro, durante a COP24, será necessário defender com afinco estas iniciativas, para que elas avancem e que enfim o mundo da água possa também irrigar outros debates além dos que lhe são próprios. Para mobilizar as indústrias e o setor agrícola na redução de sua pegada hídrica. Nessa idea, 65 membros aderiram a Aliança das Empresas para a Água e o Clima, creada em 2015 pelo grupo SUEZ. 

A fim de proteger e compartilhar todas as águas, subterrâneas e de superfície, domésticas e industriais, marinhas e transfronteiriças, Brasília é uma etapa essencial, mas os desafios hídricos estão em toda parte. Portanto, urge passar da simples constatação e partir para uma ação compartilhada.


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